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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A esclerose Múltipla e os cuidadores


Fonte: https://goo.gl/m1Rjjs

Pode até parecer que somente o paciente é atingido com o pacote da Esclerose Múltipla, entretanto, os cuidadores ou as pessoas mais próximas são tão atingidos quanto, talvez até mais porque sentimo-nos impotentes diante do quadro do portador por não termos o que fazer, por não sabermos qual seria a melhor forma de ajudar, ainda que o façamos com o melhor de nós e com o nosso coração.

A pessoa com EM vem com uma gama de outras veiazinhas enraizadas a que chamamos de pacote de EM, depressão, ansiedade, insônia, entre outros, esses são os mais comuns a praticamente todos. Decorrente da depressão vem a agressividade, o mau humor, e a intolerância com aqueles que lhes são mais próximos e que mais os amam; da ansiedade, vem o aumento do peso pelas incontáveis vezes em que geladeiras são abertas para furtar doces e outras guloseimas, ainda que elas tenham sido degustadas a bem pouco tempo não há a saciedade. A insônia decorre da fadiga e do cansaço maior que eles sentem para execução de tarefas que podem parecer-nos básicas, como um tempo maior para memorização de pequenos textos, ou até mesmo, um parágrafo.

É possível ter vida com a EM?  Sim, desde que tanto o portador quanto os cuidadores busquem alternativas ou tratamento paliativos que possam ajudar numa melhor qualidade de vida, como a terapia individual ou em grupo, e ter uma vida regrada em relação à medicação que deve ser rigorosamente obedecida, a fim de que não haja danos futuros, haja vista que a inobservância desses critérios causa danos futuros que não se mostram no presente.

Costumo dizer que a EM é como uma falsa amiga que fica esperando a oportunidade para entrar em ação e, certamente, os mais prejudicados são aqueles que estão mais próximos do paciente.

Tenho conflitos com minha filha a partir do diagnóstico da Esclerose Múltipla em decorrência da sua mudança de humor, o que já me levou a pensar que além da patologia autoimune ela pudesse ter outros distúrbios como o transtornos de personalidade (bipolaridade), além disso adquiri uma depressão básica aí, e quem tem sabe que é muito fácil ela entrar na vida da gente, mas cria raízes e não quer nos deixar. Como a maioria das pessoas e dos cuidadores, eu trabalho fora e sou responsável, sob todos os aspectos, pela casa onde residimos eu, minha filha e nossos pets que nos ajudam em nosso estresse cotidiano. 

Lamentavelmente não disponho de um tempo livre para fazer uma terapia ou até mesmo desfrutar de algo que possa trazer-me uma gama alta de satisfação, isso de forma financeira, assim dedico meu tempo livre para a obra de Deus, trabalhando com crianças como forma de agradecer a Ele pelas bênçãos derramadas em nossa vida e por ver como minha filha está bem. Claro que devemos também à sua neuro que tem sido, além de médica, uma terapeuta, uma conselheira, e essa confiança é fundamental para o processo de estagnação da EM, seja nela ou em mim.

Val



53 anos - divorciada - secretária de profissão, atuando nas áreas administrativa e financeira - católica - defensora da causa animal - livro de cabeceira: Bíblia - catequista de crianças da primeira Eucaristia.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Inflamação do cérebro associada à depressão na esclerose múltipla


Fonte: https://goo.gl/GjeNne

Pacientes com esclerose múltipla têm maiores taxas de depressão do que a população em geral, incluindo as pessoas com outras doenças incapacitantes ao longo da vida. 

Os sintomas da esclerose múltipla surgem a partir de uma resposta anormal do sistema imune do corpo. A resposta imunológica também tem sido associada à depressão, o que levou os pesquisadores a pensarem que poderia haver um mecanismo patológico partilhado que leva ao aumento das taxas dos sintomas depressivos em pacientes com esclerose múltipla.
  
“Um novo estudo, publicado na Biological Psychiatry suporta esta hipótese, fornecendo evidências de que a inflamação do hipocampo, uma região do cérebro envolvida na gênese e na manutenção da depressão e na patologia de esclerose múltipla, altera a sua função e contribui para os sintomas da depressão. Este estudo liga a inflamação do hipocampo à depressão”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

A equipe de pesquisa combinou duas técnicas de imagem cerebral complementares para estudar a relação entre a resposta do hipocampo imunológico, conexões funcionais e sintomas depressivos em 13 pacientes com esclerose múltipla e 22 indivíduos de controle saudáveis. A tomografia de emissão de positrões (PET) permitiu a quantificação da microglia ativada, uma medida de resposta imune. A ressonância magnética funcional (fMRI) avaliou a força das conexões do hipocampo a uma extensa rede de regiões do cérebro envolvidas na emoção.

A imagem PET revelou ativação imune no hipocampo de pacientes com esclerose múltipla. Os pesquisadores também descobriram que mais inflamação estava associada aos sintomas mais graves de depressão.

Medidas de conexões cerebrais funcionais com fMRI, durante o repouso, mostraram que a ativação imune no hipocampo altera suas conexões com outras regiões do cérebro. O estudo, que combina dois métodos de imagem complementares do cérebro avançados, sugere que a inflamação do hipocampo afeta a função do cérebro e provoca a depressão.

“As descobertas sugerem que a inflamação do hipocampo poderia ser a causa de altas taxas de depressão na esclerose múltipla. Os autores defendem que um tratamento eficaz e orientado da inflamação do cérebro pode ajudar a restaurar a função cerebral e proteger contra a depressão na esclerose múltipla”, diz o neurologista.
  

Willian Rezende do Carmo 
CRM-SP 160.140 -  Neurologista, com especialização em Dor, pela USP. Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3


Perfil completo:

Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, MG;
Residência médica em Neurologia, no Hospital Odilon Behrens, Belo Horizonte, MG;
Capacitação em Medicina do Sono no Instituto do Sono, São Paulo, SP;
Capacitação em aplicação de toxina botulínica tipo A, pelo IMREA, Hospital das Clínicas, FMUSP, São Paulo, SP;
Especialização em Dor pela USP, SP;
Coordenador da Neurologia no Hospital Santa Helena, São Paulo, SP;
Plantonista da Telemedicina, no setor de AVC, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP;
Médico assistente da retaguarda de Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Aspectos neuropsicológicos na Esclerose Múltipla


Fonte: Google imagens

Alguns pacientes com EM podem apresentar aspectos neuropsicológicos, e estes aspectos são delicados de identificar e diagnosticar devido suas peculiaridades.

O comprometimento cognitivo pode existir e as funções frequentemente afetadas são:
  •    A memória de curto prazo;
  •    Raciocínio conceitual (habilidade para solucionar problemas abstratos/complexos que demandam um maior planejamento);

Vale ressaltar que os comprometimentos são heretogêneos, ou seja, adquirem diferentes características para cada paciente.

Além das funções intelectuais, podem ocorrer mudanças no afeto (no círculo social do paciente). Ele, sente-se por vezes eufórico, ansioso, apático, desinteressado, irritado, entre os sintomas o mais comum é a depressão.

A hipótese mais postulada sobre a depressão é que há uma relação com as lesões desminielizantes na região do lobo frontal (parte amarelada da imagem abaixo).


Fonte: Google imagens

A questão da labilidade emocional (conjunto de alterações a manifestação da emoção) pode ser relacionada também às lesões existentes ou a aspectos pré-existentes.

Sendo assim, é possível associar os aspectos psicológicos pelas lesões de cada indivíduo, dependendo da intensidade e se há sequelas que podem intensificar os sintomas.

O principal é ter o auxílio de seu médico, psicólogo e/ou psiquiatra para que eles consigam identificar os sintomas o quanto antes para que não se torne crônico e para que haja um esclarecimento acerca dos sintomas. O apoio familiar se faz necessário também, visto que é a base familiar que dá o suporte para que o paciente possa se reestruturar e dar um novo sentido a sua vida.


Maiara Araújo
Psicóloga clínica