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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Quando um amigo surta...


Fonte: artritereumatoide.blog.br

Não tem coisa pior do que você surtar em silêncio. 

Edson.F'


 Surtar é o ato máximo de esclerosar. Surtamos quando a nossa companheira indigesta, a Esclerose Múltipla, nos domina por alguns instantes, ou mesmo dias, e nos deixa vulneráveis às suas investidas contra nosso corpo, nossas emoções e nossa  capacidade de lidar com as adversidades que ela nos impõe. Surtar é algo que nos debilita por completo...

Estou há exato 1 ano sem surtos, depois de sofrer 3 em 9 meses, porém, vários amigos estão atravessando surtos e, devo dizer que, quando um amigo surta, embora não sintamos os efeitos em nosso corpo, nossa alma surta junto com ele. 

Sentimos cada uma das dores que se apossa do seu corpo. Sentimos cada sintoma que o surto lhe acarreta. Sentimos cada gota de corticoide que entra por sua veia durante a pulsoterapia. Sentimos o gosto amargo de fel que invade seu paladar conforme o medicamento vai circulando por sua corrente sanguínea. Sentimos o surto como se fosse em nós...

Ninguém que não tenha surtado nesta vida é capaz de entender por completo o que significa se ver a mercê dos caprichos da Esclerose Múltipla e ter de lutar contra ela com uma arma tão ingrata quanto a pulsoterapia, uma vez que ela bate de frente com o surto, mas, em contrapartida, nos provoca tantas reações que às vezes nos perguntamos o que é pior, ela ou o surto em si.

As emoções ficam à flor da pele. Os sentimentos ficam contraditórios. O corpo fica frágil. O sono se esvai. A fome fica alucinante. O sabor de metal transforma tudo que ingerimos em papel. A fadiga fica à beira do insuportável. A fraqueza se acentua. Inchamos, inflamos, choramos por nada e por tudo...


Então, quando um amigo surta, compreendemos cada um dos seus sentimentos e lhe damos nosso apoio, ombro, ouvidos e, muitas vezes, o mais difícil de fazer, nosso silêncio quando ele for mais que necessário a fim de respeitar o momento de introspecção do outro. 


Bete Tezine


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Sobre surtar...


Fonte: Google imagens

Não somos sempre o que queremos, mas o que as circunstâncias nos permitem ser.

(Marquês de Maricá)


Você está razoavelmente bem, dentro do que é possível estar sendo esclerosado, quando, sem ao menos avisar, a malvada da Esclerose Múltipla resolve te fazer surtar e todos os ganhos que teve em relação às sequelas do último surto são reduzidas a nada e você tem de começar tudo outra vez.

Esse recomeçar constante vai minando nossas energias, desgastando nossas forças e, cada dia mais, precisamos nos transformar em heróis, a fim de não sucumbirmos e ficar completamente à mercê dessa impotência que nos atinge quando um surto nos pega.

Mas, como eternos insatisfeitos com a situação em que estamos, jamais nos deixamos enraizar no que não nos faz bem e então arrumamos forças que não sabemos de onde, nos levantamos e recomeçamos... e recomeçamos... e recomeçamos por quantas vezes se fizerem necessárias.

Surtar envolve tantas coisas... surtar vai muito além de ganharmos uma nova lesão ou uma antiga entrar em atividade, inflamando nosso sistema nervoso central... surtar vai além de termos nossa capacidade física reduzida... vai além de termos de nos entupir de corticoides, pulsando, pulsando, pulsando... surtar vai além de incharmos, ficarmos insones mesmo nos sentindo exaustos... surtar é o grau máximo de esclerosar, é sentir pungentemente o peso da Esclerose Múltipla nas nossas vidas... surtar envolve nosso corpo, nossa mente, nossas emoções e nossa capacidade de superação.

Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia, exercícios físicos, medicamentos para amenizar as dores, as vertigens, a fadiga extrema. A ansiedade, o medo de um novo surto, a possibilidade de troca de medicação... tudo isso vem na bagagem do surto. Precisamos de tempo para nos recuperar de algo que chega repentinamente, mas que não vai embora como chegou.

Surtar nos deixa frágeis, emotivos e poucos entendem a real dimensão disso, na verdade, a maioria acredita que basta termos força de vontade que tudo voltará a ser como estava antes... Ah! como queríamos que apenas nosso querer pudesse dar conta de nos colocar em pé de novo, de nos deixar no mesmo parâmetro que estávamos antes do surto... seria simplesmente uma questão de querer ou não querer, coisa que não existe quando se trata da Esclerose Múltipla, pois ela não obedece ao nosso querer, ela é indisciplinada, sádica, bipolar e imprevisível. Nosso querer, com relação a ela, se atém a não nos entregarmos por completo, a sempre lutarmos quando ela nos tiraniza... nosso querer nos dá energia para nos levantarmos após cada surto e tentar buscar nos recuperar dos estragos provocados por ele.

Nosso querer não impede o surto, mas impede que sucumbamos.

Então, é hora de recomeçar, mais uma vez... 


Bete Tezine



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Medicamentos naturais anti-inflamatórios no combate aos efeitos colaterais de corticoides no metabolismo



Fonte: Google imagens

Os glicocorticoides, que são a junção de glicose + córtex + esteroides,são hormônios esteroides produzidos pelo córtex da glândula suprarrenal. O cortisol é um hormônio produzido pelo nosso organismo que sob estresse físico aumenta sua produção.

A semelhança do cortisol com os corticoides é básica, os corticoides são mais potentes que o cortisol natural produzido por nosso corpo, por isso são tão receitados e eficazes em doenças autoimunes. Porém, inúmeras doenças podem ser tratadas por meio do uso de corticoides ou glicocorticoides por suas propriedades anti-inflamatórias, antialérgicas e imunossupressoras.

Corticoides, quando receitados para uso uso continuo, nota-se considerável aumento de apetite e o efeito colateral mais visível desse medicamento é aumento de massa corpórea, ou melhor, acúmulo gordura no corpo. Isso ocorre pela produção de glicose (açúcar) e energia no organismo, com finalidade de preparar nosso organismo para combater a agressão causada pelo estresse físico, podendo acarretar a Diabetes Mellitus.

Outro efeito colateral mais visível é o inchaço e a retenção de líquidos, uns dos martírios pós-pulsoterapia para pacientes com esclerose múltipla.

A nutrição apresenta alguns alimentos com bases funcionais e anti-inflamatórias, aumentando a nossa imunidade por meio de algumas substâncias que têm a capacidade de liberação de hormônios que inibem a ação inflamatória para reparar uma lesão.
Entre essas substâncias estão o ácido graxo ômega 3, a alicina, a antocianina e a vitamina C. Por outro lado, as carnes gordurosas, o açúcar em excesso, o fast-food e as guloseimas aumentam a inflamação no organismo, devido conter as gorduras ruins (trans e saturadas) usadas no preparo e no processamento destes alimentos industrializados. Por este motivo, combinar alimentação equilibrada, consumo de água e a prática de atividades física por até 30 minutos por dia, sob orientação profissional, é fundamental para que existam respostas desses alimentos funcionais em nosso organismo.

Gengibre: Uma das plantas medicinais mais antigas e populares do mundo. Suas propriedades terapêuticas são resultado da ação de várias substâncias, especialmente do óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona. Tem sido largamente empregado na culinária como condimento, em bebidas e na medicina popular. As plantas da família Zingiberaceae, em geral, apresentam ingredientes pungentes. O gengibre apresenta compostos como 6-gingerol e 6-paradol, os quais possuem efeito antitumoral. Nenhum efeito tóxico foi reportado. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais leves, incluindo azia, diarreia e desconforto gástrico. Evitar o uso concomitante a anticoagulantes, especialmente próximo a procedimentos cirúrgicos. O gengibre pode reduzir a glicose sérica. Pacientes com uso de hipoglicemiantes devem acompanhar os níveis de glicose. Possui efeito quimiopreventivo, devido ao composto fenólico gingerol, responsável pelo sabor picante do gengibre (Zinziber officinale Roscoe) que inibe a ativação de AP1 induzida por fator de crescimento epidermoide. Além de ser usado por seus efeitos hepatoprotetores, antioxidantes, antidiabético, anti-hiperlipidêmico e antiobesidade.

Cúrcuma (Açafrão da Terra): Possui flavonoides e alcaloides que têm efeito anti-inflamatório e antioxidante. Para além da sua forte atividade antioxidante, a curcumina tem sido intensivamente estudada como agente anticancerígeno. A curcumina participa da ativação de células do sistema imunitário (defesa do corpo), atividade antiparasitária, além da sua reconhecida ação antitumoral (anticancerígena). Uma estratégia comum para aumentar a biodisponibilidade da curcumina (aumentando o seu efeito no organismo) é a utilização de adjuvantes que bloqueiam a sua biotransformação, como é o caso da piperina, um alcaloide extraído das sementes de pimenta do reino (Pipper nigrum L).

Alho: O Alho pertence à família Liliaceae. O principal composto sulfuroso, produto de degradação de aminoácidos sulfurosos, é a alicina, um provável quimioprotetor. A ciência investiga seus efeitos nas doenças cardiovasculares, câncer, inflamação e infecção. Cerca de 30 ingredientes com potenciais efeitos biológicos foram identificados no alho, entre eles os efeitos hipotensor, hipoglicemiante, antiviral, antitumoral, hipocolesterolêmico, antifúngico e antioxidante.

Brócolis: Alimentos sulfurados e nitrogenados são compostos orgânicos usados na proteção contra o câncer, sendo ativadores de enzimas de destoxificação do fígado. Há indícios que o consumo dessa classe de alimentos (alho, cebola, alho-poró, cebolinha, brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho, agrião, nabo e rabanete) ricos em compostos sulfurosos pode diminuir a pressão sanguínea e aumentar a defesa imunológica, também tem sido demonstrado o potencial de proteger as células de lesões ao DNA e do câncer.

Frutas vermelhas: Os flavonoides são o principal grupo de compostos fenólicos encontrados em plantas. Eles apresentam uma série de atividades biológicas antioxidantes, quimioprotetoras, anticarcinogênicas, anti-inflamatórias. Algumas fontes de flavonoides são uva, amora, framboesa, frutas cítricas, romã, mirtilo, entre outras.

Peixes ricos em ômega-3: A família dos ácidos graxos ômega-3 participa da síntese dos eicosanoides anti-inflamatórios. Juntamente com o azeite de oliva, fazem parte do tratamento dietético de indivíduos com dislipidemias e outras doenças. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a ingestão regular de peixe (sardinha, atum, truta, cascudo, arenque) na dieta (3 vezes/semana) tem efeito favorável sobre os níveis de triglicerídeos, pressão sanguínea, do mecanismo de coagulação e o ritmo cardíaco, na prevenção de câncer colônico e na redução da incidência de aterosclerose. 

Não obstante as propriedades benéficas dos alimentos acima, é fundamental ressaltar que acompanhamento médico e nutricional é de extrema importância para uma boa evolução de qualquer tratamento.


“Faça do seu alimento seu medicamento.”


Mayara Ribeiro Baptista
Nutricionista